No Cristianismo existe um debate constante sobre a salvação, se ela é dada ao homem pela graça ou se ela é ganha através de boas obras. A Igreja Mórmon ensina que ambas tem um papel muito importante na salvação. A Igreja ensina que a Expiação de Cristo e a sua Ressurreição possibilitaram a salvação para nós. Não poderíamos ter feito isso por nós mesmos. Precisamos da expiação porque todos os homens pecam, e desta forma a graça nos salva. É um dom de Deus ter a oportunidade de nos arrepender e de sermos perdoados por nossos pecados. A vida eterna através ressurreição é também um dom de Deus. Todos que viveram nesta terra terão seus espíritos reunidos com seus corpos. Apesar disto, isso não quer dizer não requer qualquer ação de nossa parte. No Livro de Mórmon está escrito: “pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23). Essa última parte da escritura se refere às boas obras e a obediência às leis de Deus.

Precisamos obedecer a certas regras e participar de certas ordenanças, tais como o batismo e o dom do Espírito Santo para receber a salvação. Até mesmo no processo de arrependimento há muito trabalho a ser feito, pois é requerida grande fé e então controle sobre nosso corpo para evitarmos o pecado. O arrependimento é como uma graça condicional. Cristo já expiou pelos pecados de todo o mundo, mas para receber o perdão nós precisamos nos arrepender.

Após o batismo e o recebimento do dom do Espírito Santo, Deus requer que perseveremos até o fim. Para perseverar até o fim uma pessoa precisa de sua própria vontade e escolha fazer boas obras. À medida que um indivíduo escolhe continuamente a fazer o bem e não o mal, Deus através de sua graça os abençoa com mais dons divinos, como a caridade, por exemplo.

A doutrina Mórmon ensina claramente que existe uma interação entre a graça e boas obras, e que ambas são necessárias para se ganhar à salvação e a oportunidade de viver com Deus novamente. Um presidente da Igreja Mórmon, David O. McKay, fez uma analogia que ilustra bem como os Mórmons vêem a graça. Nesta história ele fala sobre um grupo de garotos que foram nadar. Um deles caiu em um lugar perigoso do rio e quase se afogou, mas um garoto na margem encontrou um galho e o puxou para fora. “Existem aqueles que clamam que alguém jamais se afogará ou ficará perdido se olhar para Jesus na margem e dizer ‘Eu acredito’. Existem outros que declaram que todos precisam, por seu próprio esforço, nadar até a margem ou estará perdido pra sempre. A verdade é que ambas dessas visões extremas estão incorretas. Cristo redimiu todos os homens da morte a qual foi trazida sobre eles devido a um ato que não foram seus, mas Ele não salvará os homens de suas transgressões pessoais, caso não haja um esforço pessoal, nada mais que o jovem salva-vidas na margem do rio poderia fazer para salvar o outro jovem se ele não tivesse visto os meios providos. Nem pode o homem se salvar sem aceitar os meios providos por Jesus Cristo para a salvação do homem” (O Evangelho de Trabalho, Instrutor, jan. 1955, 1).